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Durban Image: Fernando Pessoa’sculpture

30 January 2015 by My Durban

A Durban tagged image from Flickr – click on the name of the photographer below the image to see more Durban goodness.

Fernando Pessoa’sculpture
Durban
Image by pedrosimoes7
Parque dos Poetas, Oeiras, Portugal (F.Simoes)

Fernando Anto?nio Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta, filo?sofo e escritor portugue?s.

O cri?tico litera?rio Harold Bloom considerou Pessoa como ‘Whitman renascido’ em seu livro The Western Canon4 Nascido no mesmo ano em que T.S. Eliot, Fernando Pessoa e? o poeta portugue?s mais universal e foi inclui?do por Harold Bloom em seu ca?none entre os 26 melhores escritores da civilizac?a?o ocidental,5 na?o apenas da literatura portuguesa mas tambe?m da inglesa; por ter sido educado na A?frica do Sul em uma escola cato?lica irlandesa, Pessoa chegou a ter mais familiaridade com o idioma ingle?s do que com o portugue?s ao escrever seus primeiros poemas nesse idioma.

Das quatro obras que publicou em vida, tre?s sa?o na li?ngua inglesa. Fernando Pessoa traduziu va?rias obras inglesas para portugue?s e obras portuguesas (nomeadamente de Anto?nio Botto e Almada Negreiros) para ingle?s e Shakespeare e Edgar Poe para o portugue?s.

Como poeta, escreveu sob mu?ltiplas personalidades conhecidas como hetero?nimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Robert Hass diz: "outros modernistas como Yeats, Pound, Elliot inventaram ma?scaras pelas quais falavam ocasionalmente(…)
Pessoa inventava poetas inteiros.

Biografia

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Na?o ha? nada mais simples.
Tem so? duas datas – a da minha nascenc?a e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias sa?o meus. >>>
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; escrito entre 1913-15; publicado em Atena nº 5 de Fevereiro de 1925.

Primeiros anos em Lisboa[editar]

Fernando Pessoa nasceu neste edifi?cio, no bairro do Chiado, frente a? o?pera de Lisboa, a 13 de junho de 1888.

A?s tre?s horas e vinte e quatro minutos da tarde de 13 de Junho de 1888 nasce em Lisboa Fernando Pessoa. O parto ocorreu no quarto andar direito do n.º 4 do Largo de Sa?o Carlos, em frente a? o?pera de Lisboa (Teatro de Sa?o Carlos). De fami?lias da pequena aristocracia, pelos lados paterno e materno, o pai, Joaquim de Seabra Pessoa (38), natural de Lisboa, era funciona?rio pu?blico do Ministe?rio da Justic?a e cri?tico musical do «Dia?rio de Noti?cias». A ma?e, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa (26), era natural dos Ac?ores (mais propriamente, da Ilha Terceira). Viviam com eles a avo? Dioni?sia, doente mental, e duas criadas velhas, Joana e Emi?lia.

O poeta, pelo lado paterno, tem as suas rai?zes familiares no concelho de Arouca, nas freguesias do denominado «Fundo do Concelho» de Arouca.9 10 11 .

Fernando Anto?nio foi baptizado em 21 de Julho na Basi?lica dos Ma?rtires, ao Chiado, tendo por padrinhos a Tia Anica (D. Ana Lui?sa Pinheiro Nogueira, tia materna) e o General Chaby. A escolha do nome homenageia Santo Anto?nio: a fami?lia reclamava uma ligac?a?o genealo?gica com Fernando de Bulho?es, nome de baptismo de Santo Anto?nio, tradicionalmente festejado em Lisboa a 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu.

As suas infa?ncia e adolesce?ncia foram marcadas por factos que o influenciariam posteriormente. A?s cinco horas da manha? de 24 de Julho de 1893, o pai morreu, com 43 anos, vi?tima de tuberculose. A morte foi anunciada no Dia?rio de Noti?cias do dia. Fernando tinha apenas cinco anos. O irma?o Jorge viria a falecer no ano seguinte, sem completar um ano.3 A ma?e ve?-se obrigada a leiloar parte da mobi?lia e muda-se para uma casa mais modesta, o terceiro andar do n.º 104 da Rua de Sa?o Marc?al. Foi tambe?m neste peri?odo que surgiu o primeiro hetero?nimo de Fernando Pessoa, Chevalier de Pas, facto relatado pelo pro?prio a Adolfo Casais Monteiro, numa carta de 1935, em que fala extensamente sobre a origem dos hetero?nimos. Ainda no mesmo ano, escreve o primeiro poema, um verso curto com a infantil epi?grafe de A? Minha Querida Mama?. A ma?e casa-se pela segunda vez em 1895 por procurac?a?o, na Igreja de Sa?o Mamede, em Lisboa, com o comandante Joa?o Miguel Rosa, co?nsul de Portugal em Durban (A?frica do Sul), que havia conhecido um ano antes. Em A?frica, onde passa a maior parte da juventude e recebe educac?a?o inglesa, Pessoa viria a demonstrar desde cedo talento para a literatura.

Juventude em Durban

O padrasto e a ma?e.
Em raza?o do casamento, viaja com a ma?e para Durban, acompanhados por um tio-avo?, Manuel Gualdino da Cunha, que voltaria para Lisboa no me?s seguinte. Viajam no navio Funchal ate? a? Madeira e depois no paquete Ingle?s Hawarden Castle ate? ao Cabo da Boa Esperanc?a. Faz a instruc?a?o prima?ria na escola de freiras irlandesas da West Street, onde fez a primeira comunha?o, e percorre em dois anos o equivalente a quatro.
Em 1899 ingressa no Liceu de Durban, onde permanecera? durante tre?s anos e sera? um dos primeiros alunos da turma. No mesmo ano, cria o pseudo?nimo Alexander Search, atrave?s do qual envia cartas a si mesmo. No ano de 1901, e? aprovado com distinc?a?o no primeiro exame Cape School High Examination e escreve os primeiros poemas em ingle?s. Na mesma altura, morre sua irma? Madalena Henriqueta, de dois anos. Em 1901 parte com a fami?lia para Portugal, para um ano de fe?rias. No navio em que viajam, o paquete Ko?nig, vem o corpo da irma?. Em Lisboa, mora com a fami?lia em Pedrouc?os e depois na Avenida de D. Carlos I, n.º 109, 3.º Esquerdo. Na capital portuguesa, nasce Joa?o Maria, quarto filho do segundo casamento da ma?e de Pessoa. Viaja com a fami?lia a? Ilha Terceira, nos Ac?ores, onde vive a fami?lia materna. Deslocam-se tambe?m a Tavira para visitar os parentes paternos. Nessa e?poca, escreve o poema Quando ela passa.

Tendo de dividir a atenc?a?o da ma?e com os filhos do casamento e com o padrasto, Pessoa isola-se, o que lhe propicia momentos de reflexa?o.

Tendo recebido uma educac?a?o brita?nica, que lhe proporcionou um profundo contacto com a li?ngua inglesa, os seus primeiros textos e estudos foram em ingle?s. Mante?m contacto com a literatura inglesa atrave?s de autores como Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, Percy Shelley, Alfred Tennyson, entre outros. O Ingle?s teve grande destaque na sua vida, trabalhando com o idioma quando, mais tarde, se torna correspondente comercial em Lisboa, ale?m de o utilizar em alguns dos seus textos e traduzir trabalhos de poetas ingleses, como O Corvo e Annabel Lee de Edgar Allan Poe. Com excepc?a?o de Mensagem, os u?nicos livros publicados em vida sa?o os das colecta?neas dos seus poemas ingleses: Antinous e 35 Sonnets e English Poems I – II e III, editados em Lisboa, em 1918 e 1921.

Fernando Pessoa aos seis anos.

Fernando Pessoa permanece em Lisboa, enquanto todos — ma?e, padrasto, irma?os e criada Pacie?ncia, que viera com ele — regressam a Durban. Volta sozinho para a A?frica no vapor Herzog. Matricula-se na Durban Commercial School, escola comercial de ensino nocturno, enquanto de dia estuda as disciplinas humani?sticas para entrar na universidade. Nesse peri?odo, tenta escrever contos em ingle?s, alguns dos quais com o pseudo?nimo de David Merrick, que deixa inacabados. Em 1903, candidata-se a? Universidade do Cabo da Boa Esperanc?a. Na prova de exame de admissa?o, na?o obte?m boa classificac?a?o, mas tira a melhor nota entre os 899 candidatos no ensaio de estilo ingle?s. Recebe por isso o Queen Victoria Memorial Prize («Pre?mio Rainha Vito?ria»).1 Um ano depois, ingressa novamente na Durban High School, onde frequenta o equivalente a um primeiro ano universita?rio. Aprofunda a sua cultura, lendo cla?ssicos ingleses e latinos. Escreve poesia e prosa em ingle?s, surgindo os hetero?nimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Nasce a sua irma? Maria Clara. Publica no jornal do liceu um ensaio cri?tico intitulado Macaulay. Por fim, encerra os seus bem sucedidos estudos na A?frica do Sul com o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade, obtendo uma boa classificac?a?o.

Volta definitiva a Portugal e ini?cio de carreira

Orpheu nº2, 1915

Deixando a fami?lia em Durban, regressa definitivamente a? capital portuguesa, sozinho, em 1905. Passa a viver com a avo? Dioni?sia e as duas tias na Rua da Bela Vista, n.º 17. A ma?e e o padrasto regressam tambe?m a Lisboa, durante um peri?odo de fe?rias de um ano em que Pessoa volta a morar com eles. Continua a produc?a?o de poemas em ingle?s e, em 1906, matricula-se no Curso Superior de Letras (actual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), que abandona sem sequer completar o primeiro ano. E? nesta e?poca que entra em contato com importantes escritores portugueses. Interessa-se pela obra de Cesa?rio Verde e pelos sermo?es do Padre Anto?nio Vieira.

Em Agosto de 1907, morre a sua avo? Dioni?sia, deixando-lhe uma pequena heranc?a, com a qual monta uma pequena tipografia, na Rua da Conceic?a?o da Glo?ria, 38-4.º, sob o nome de «Empreza Ibis — Typographica e Editora — Officinas a Vapor», que rapidamente vai a? fale?ncia. A partir de 1908, dedica-se a? traduc?a?o de corresponde?ncia comercial, uma ocupac?a?o a que poderi?amos dar o nome de "correspondente estrangeiro". Nessa actividade trabalha a vida toda, tendo uma modesta vida pu?blica.

Inicia a sua atividade de ensai?sta e cri?tico litera?rio com o artigo «A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada», a que se seguiriam «Reincidindo…» e «A Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicolo?gico» publicados em 1912 pela revista A A?guia, o?rga?o da Renascenc?a Portuguesa. Frequenta a tertu?lia litera?ria que se formou em torno do seu tio adoptivo, o poeta, general aposentado Henrique Rosa, no Cafe? A Brasileira, no Largo do Chiado em Lisboa. Mais tarde, ja? nos anos vinte, o seu cafe? preferido seria o Martinho da Arcada, na Prac?a do Come?rcio, onde escrevia e se encontrava com amigos e escritores.
Em 1915 participou na revista litera?ria Orpheu, a qual lanc?ou o movimento modernista em Portugal, causando algum esca?ndalo e muita controve?rsia. Esta revista publicou apenas dois nu?meros, nos quais Pessoa publicou em seu nome, bem como com o hetero?nimo A?lvaro de Campos. No segundo nu?mero da Orpheu, Pessoa assume a direcc?a?o da revista, juntamente com Ma?rio de Sa?-Carneiro.

Em Outubro de 1924, juntamente com o artista pla?stico Ruy Vaz, Fernando Pessoa lanc?ou a revista Athena, na qual fixou o «drama em gente» dos seus hetero?nimos, publicando poesias de Ricardo Reis, A?lvaro de Campos e Alberto Caeiro, bem como do orto?nimo Fernando Pessoa.

Morte

Pessoa foi internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de Sa?o Lui?s dos Franceses, em Lisboa, com diagno?stico de "co?lica hepa?tica" causada por ca?lculo biliar associado a cirrose hepa?tica, diagno?stico que e? hoje contestado por estudos me?dicos, embora o excessivo consumo de a?lcool ao longo da sua vida seja consensualmente considerado como um importante factor causal. Segundo um desses estudos, Pessoa na?o revelava alguns dos sintomas mais ti?picos de cirrose hepa?tica, tendo provavelmente sido vi?tima de uma pancreatite aguda.12 Morreu no dia 30 de Novembro, com 47 anos de idade. Sua u?ltima frase foi escrita na cama do hospital, em ingle?s, com a data de 29 de Novembro de 1935: "I know not what tomorrow will bring" ("Na?o sei o que o amanha? trara?").

Legado

O espo?lio de Pessoa: a ce?lebre arca, contendo mais de 25000 pa?ginas, e a «biblioteca inglesa».
Pode-se dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas atrave?s dos seus hetero?nimos, o que foi a sua principal caracteri?stica e motivo de interesse pela sua pessoa, aparentemente muito pacata. Alguns cri?ticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro eu ou se tudo na?o teria passado de um produto, entre tantos, da sua vasta criac?a?o. Ao tratar de temas subjectivos e usar a heteroni?mia,13 torna-se enigma?tico ao extremo. Este fato e? o que move grande parte das buscas para estudar a sua obra. O poeta e cri?tico brasileiro Frederico Barbosa declara que Fernando Pessoa foi "o enigma em pessoa".Escreveu sempre, desde o primeiro poema aos sete anos, ate? ao leito de morte. Importava-se com a intelectualidade do homem, e pode-se dizer que a sua vida foi uma constante divulgac?a?o da li?ngua portuguesa: nas pro?prias palavras do hetero?nimo Bernardo Soares, "a minha pa?tria (sic) e? a li?ngua portuguesa". O mesmo empenho e? patente no seguinte poema:

Agora, tendo visto tudo e sentido tudo, tenho o dever de me fechar em casa no meu espi?rito e trabalhar, quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da civilizac?a?o e o alargamento da conscie?ncia da humanidade
—
Fernando Pessoa, carta a Armando Co?rtes-Rodrigues de 19 de Janeiro de 1915.

U?ltima reside?ncia do poeta, actual Casa Fernando Pessoa.
Analogamente a Pompeu, que disse que "navegar e? preciso; viver na?o e? preciso", Pessoa diz, no poema Navegar e? Preciso, que "viver na?o e? necessa?rio; o que e? necessa?rio e? criar". Outra interpretac?a?o comum deste poema diz respeito ao fato de a navegac?a?o ter resultado de uma atitude racionalista do mundo ocidental: a navegac?a?o exigiria uma precisa?o que a vida poderia dispensar.
O poeta mexicano Octavio Paz, laureado com o Nobel de Literatura, diz que "os poetas na?o te?m biografia. A sua obra e? a sua biografia" e que, no caso de Fernando Pessoa, "nada na sua vida e? surpreendente — nada, excepto os seus poemas". Em The Western Canon, Harold Bloom incluiu-o entre os ca?nones ocidentais, no capi?tulo Borges, Neruda e Pessoa: o Whitman Hispano-Portugue?s (pg. 451, 1995).
Na comemorac?a?o do centena?rio do nascimento de Pessoa, em 1988, o seu corpo foi trasladado para o Mosteiro dos Jero?nimos, confirmando o reconhecimento que na?o teve em vida.

Pessoa e o ocultismo

Fernando Pessoa interessava-se pelo ocultismo e pelo misticismo, com destaque para a Mac?onaria e a Rosa-Cruz (embora na?o se lhe conhec?a qualquer filiac?a?o concreta em Loja ou Fraternidade dessas escolas de pensamento), havendo inclusive defendido publicamente as organizac?o?es inicia?ticas no Dia?rio de Lisboa (4 de Fevereiro de 1935), contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema herme?tico mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Tu?mulo de Christian Rosenkreutz". Tinha o ha?bito de fazer consultas astrolo?gicas para si mesmo (de acordo com a sua certida?o de nascimento, nasceu a?s 15h20, tinha ascendente Escorpia?o e o Sol em Ge?meos).14 Realizou mais de mil horo?scopos.

Apreciava tambe?m muito o trabalho de Helena Blavatsky tendo inclusive traduzido, em 1916, A Voz do Sile?ncio, assim como lhe suscitava muita curiosidade o famoso ocultista Aleister Crowley, tendo-lhe traduzido o poema Hino a Pa?. Certa vez, lendo uma publicac?a?o inglesa de Crowley, encontrou erros no horo?scopo e escreveu-lhe para o corrigir. Os seus conhecimentos de astrologia impressionaram Crowley e, como este gostava de viagens, foi a Portugal conhecer o poeta.15 Acompanhou-o a maga alema? Hanni Larissa Jaeger,16 . O encontro entre Pessoa e Crowley ocorreu com algum sensacionalismo, dado o Poeta Ingle?s ter simulado o seu suici?dio na Boca do Inferno, o que atraiu va?rias poli?cias Europeias e a atenc?a?o dos me?dia da e?poca. Pessoa estaria dentro da encenac?a?o, tendo combinado com Crowley a notificac?a?o dos jornais e a redacc?a?o de um "romance policia?rio" cujos direitos reverteriam a favor dos dois poetas. Apesar de ter escrito va?rias dezenas de pa?ginas, essa obra de ficc?a?o nunca foi concretizada.

Obra poe?tica

Esta?tua de Fernando Pessoa da autoria de Lagoa Henriques, no cafe? A Brasileira, no Chiado, Lisboa
O poeta e? um fingidor.
Finge ta?o completamente
Que chega a fingir que e? dor
A dor que deveras sente.>>>
Fernando Pessoa; Autopsicografia; 27 de Novembro de 1930 (1ª publ. in Presenc?a, nº 36. Coimbra: Novembro 1932.)18
Considera-se que a grande criac?a?o este?tica de Pessoa foi a invenc?a?o heteroni?mica que atravessa toda a sua obra. Os hetero?nimos, diferentemente dos pseudo?nimos, sa?o personalidades poe?ticas completas: identidades que, em princi?pio falsas, se tornam verdadeiras atrave?s da sua manifestac?a?o arti?stica pro?pria e diversa do autor original. Entre os hetero?nimos, o pro?prio Fernando Pessoa passou a ser chamado orto?nimo, porquanto era a personalidade original. Entretanto, com o amadurecimento de cada uma das outras personalidades, o pro?prio orto?nimo tornou-se apenas mais um hetero?nimo entre os outros. Os tre?s hetero?nimos mais conhecidos (e tambe?m aqueles com maior obra poe?tica) foram A?lvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Um quarto hetero?nimo de grande importa?ncia na obra de Pessoa e? Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego, importante obra litera?ria do se?culo XX. Bernardo e? considerado um semi-hetero?nimo por ter muitas semelhanc?as com Fernando Pessoa e na?o possuir uma personalidade muito caracteri?stica, ao contra?rio dos tre?s primeiros, que possuem ate? mesmo data de nascimento e morte (excepc?a?o para Ricardo Reis, que na?o possui data de falecimento). Por essa raza?o, Jose? Saramago, laureado com o Pre?mio Nobel, escreveu o livro O ano da morte de Ricardo Reis.
Atrave?s dos hetero?nimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexa?o sobre a relac?a?o entre verdade, existe?ncia e identidade. Este u?ltimo fator possui grande notabilidade na famosa misteriosidade do poeta.

Com uma tal falta de gente coexisti?vel, como ha? hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer sena?o inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espi?rito?

Diversos estudiosos de Pessoa procuraram enumerar seus pseudo?nimos, hetero?nimos, semi-hetero?nimos, personagens ficti?cias e poetas mediu?nicos. Em 1966 a portuguesa Teresa Rita Lopes fez um primeiro levantamento, com 18 nomes. Antonio Pina Coelho, tambe?m portugue?s, elevou em seguida a relac?a?o para 21. A mesma Teresa Rita Lopes apresentou um levantamento mais detalhado em 1990, chegando a 72 nomes.20 Em 2009 o holande?s Michae?l Stoker chegou a 83 hetero?nimos. Mais recentemente, o brasileiro Jose? Paulo Cavalcanti Filho, utilizando crite?rio mais amplo, apresentou uma lista com 127 nomes.21
Orto?nimo[editar]

Mensagem, de Fernando Pessoa, 1ª ed., 1934.

A obra orto?nima de Pessoa passou por diferentes fases, mas envolve basicamente a procura de um certo patriotismo perdido, atrave?s de uma atitude sebastianista reinventada. O orto?nimo foi profundamente influenciado, em va?rios momentos, por doutrinas religiosas (como a teosofia) e sociedades secretas (como a Mac?onaria). A poesia resultante tem um certo ar mi?tico, hero?ico (quase e?pico, mas na?o na acepc?a?o original do termo) e por vezes tra?gico. Pessoa e? um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradic?o?es, uma visa?o simultaneamente mu?ltipla e unita?ria da vida. Uma explicac?a?o para a criac?a?o dos tre?s principais hetero?nimos e o semi-hetero?nimo Bernardo Soares, reside nas va?rias formas que tinha de olhar o mundo, apoiando-se no racionalismo e pensamento oriental.22
O orto?nimo e? considerado, so? por si, como simbolista e modernista pela evanesce?ncia, indefinic?a?o e insatisfac?a?o, bem como pela inovac?a?o praticada atrave?s de diversas sendas de formulac?a?o do discurso poe?tico (sensacionalismo, paulismo, interseccionismo, etc.).23
Fernando Pessoa foi marcado tambe?m pela poesia musical e subjectiva, voltada essencialmente para a metalinguagem e os temas relativos a Portugal, como o sebastianismo presente na principal obra de "Pessoa ele-mesmo", Mensagem, uma coleta?nea de poemas sobre as grandes personagens histo?ricos portugueses. Publicado em 1934, apenas um ano antes da morte do autor, este foi o u?nico livro de Fernando Pessoa em Li?ngua Portuguesa editado em vida. Foi contemplado com o Pre?mio Antero de Quental, na categoria de «poema ou poesia solta», do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN).2
Hetero?nimos e Semi-hetero?nimos[editar]
A?lvaro de Campos[editar]
Ver artigo principal: A?lvaro de Campos
TABACARIA
Na?o sou nada.
Nunca serei nada.
Na?o posso querer ser nada.
A? parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milho?es do mundo que ningue?m sabe quem e?
(E se soubessem quem e?, o que saberiam?),
Dais para o miste?rio de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessi?vel a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o miste?rio das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a po?r humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroc?a de tudo pela estrada de nada.
_____________________________________________________
A?lvaro de Campos: "Tabacaria" (excerto)
Entre todos os hetero?nimos, Campos foi o u?nico a manifestar fases poe?ticas diferentes ao longo da sua obra. Era um engenheiro de educac?a?o inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensac?a?o de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.
Comec?a a sua trajeto?ria como um decadentista (influenciado pelo simbolismo), mas logo adere ao futurismo. Apo?s uma se?rie de desiluso?es com a existe?ncia, assume uma veia niilista, expressa naquele que e? considerado um dos poemas mais conhecidos e influentes da li?ngua portuguesa, Tabacaria. E? revoltado e cri?tico e faz a apologia da velocidade e da vida moderna, com uma linguagem livre, radical.

Ricardo Reis

Ver artigo principal: Ricardo Reis
O hetero?nimo Ricardo Reis e? descrito como um me?dico que se definia como latinista e mona?rquico. De certa maneira, simboliza a heranc?a cla?ssica na literatura ocidental, expressa na simetria, na harmonia e num certo bucolismo, com elementos epicuristas e esto?icos. O fim inexora?vel de todos os seres vivos e? uma constante na sua obra, cla?ssica, depurada e disciplinada. Faz uso da mitologia na?o-crista?.
Segundo Pessoa, Reis mudou-se para o Brasil em protesto a? proclamac?a?o da Repu?blica em Portugal e na?o se sabe o ano da sua morte.
Em O ano da morte de Ricardo Reis, Jose? Saramago continua, numa perspectiva pessoal, o universo deste hetero?nimo apo?s a morte de Fernando Pessoa, cujo fantasma estabelece um dia?logo com o seu hetero?nimo, sobrevivente ao criador.

Alberto Caeiro

Ver artigo principal: Alberto Caeiro
Por sua vez, Caeiro, nascido em Lisboa, teria vivido quase toda a vida como campone?s, quase sem estudos formais. Teve apenas a instruc?a?o prima?ria, mas e? considerado o mestre entre os hetero?nimos (pelo orto?nimo). Depois da morte do pai e da ma?e, permaneceu em casa com uma tia-avo?, vivendo de modestos rendimentos e morreu de tuberculose. Tambe?m e? conhecido como o poeta-filo?sofo, mas rejeitava este ti?tulo e pregava uma "na?o-filosofia". Acreditava que os seres simplesmente sa?o, e nada mais: irritava-se com a metafi?sica e qualquer tipo de simbologia para a vida.

Os escritos pessoanos que versam sobre a caracterizac?a?o dos hetero?nimos, "Pessoa-ele-mesmo", A?lvaro de Campos, Ricardo Reis e o meio-hetero?nimo Bernardo Soares, conferem a Alberto Caeiro um papel quase mi?stico, enquanto poeta e pensador. Reis e Soares chegam a compara?-lo ao deus Pa?, e Pessoa esboc?a-lhe um horo?scopo no qual lhe atribui o signo de lea?o, associado ao elemento fogo. A releva?ncia destas aluso?es adve?m da explicac?a?o de Fernando Pessoa sobre o papel de Caeiro no escopo da heteroni?mia. Citando a atuac?a?o dos quatro elementos da astrologia sobre a personalidade dos indivi?duos, Pessoa escreve:
"Uns agem sobre os homens como o fogo, que queima nele todo o acidental, e os deixa nus e reais, pro?prios e veri?dicos, e esses sa?o os libertadores. Caeiro e? dessa rac?a, Caeiro teve essa forc?a."

Dos principais hetero?nimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o u?nico a na?o escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
Possui?a uma linguagem este?tica direta, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. O seu idea?rio resume-se no verso Ha? metafi?sica bastante em na?o pensar em nada. A sua obra esta? agrupada na coleta?nea Poemas Completos de Alberto Caeiro.

Bernardo Soares

Ver artigo principal: Bernardo Soares
Bernardo Soares e?, dentro da ficc?a?o de seu pro?prio Livro do Desassossego, um simples ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Conheceu Fernando Pessoa numa pequena casa de pasto frequentada por ambos. Foi ai? que Bernardo deu a ler a Fernando seu livro, que, mesmo escrito em forma de fragmentos, e? considerado uma das obras fundadoras da ficc?a?o portuguesa no se?culo XX.24

Bernardo Soares e? muitas vezes considerado um semi-hetero?nimo porque, como seu pro?prio criador explica:

"Na?o sendo a personalidade a minha, e?, na?o diferente da minha, mas uma simples mutilac?a?o dela. Sou eu menos o racioci?nio e afectividade."
A insta?ncia da ficc?a?o que se desenvolve no livro e? insignificante, porque trata-se de uma "autobiografia sem factos", como o pro?prio Fernando Pessoa situa o livro. Dessa forma, o que interessa em sua prosa fragmenta?ria e? a dramaticidade das reflexo?es humanas que ve?m a? tona na insiste?ncia de uma escrita que se reconhece invia?vel, inu?til e imperfeita, a? beira do te?dio, do tra?gico e da indiferenc?a este?tica. O fato de Fernando Pessoa considerar (em cartas e anotac?o?es pessoais) Bernardo Soares um semi-hetero?nimo faz pensar na maior proximidade de temperamento entre Pessoa e Soares. Nesse sentido, para alguns, o jogo heteroni?mico ganha em complexidade e Pessoa logra o e?xito da construc?a?o de si mesmo como o mais instigante mito litera?rio portugue?s na Modernidade.

Cronologia

«Fernando Pessoa em flagrante delitro»: dedicato?ria na fotografia que ofereceu a? namorada Ophe?lia Queiroz em 1929.
A seguir apresenta-se uma cronologia25 26 abreviada da vida do poeta:
1888: Fernando Anto?nio Nogueira Pessoa nasce, a 13 de Junho. E? batizado em Julho.
1893: Em Janeiro, nasce seu irma?o Jorge. A 13 de Julho, o pai morre, de tuberculose. A fami?lia e? obrigada a leiloar parte dos bens.
1894: O irma?o de Fernando, Jorge, morre em Janeiro. Pessoa cria o seu primeiro hetero?nimo. O futuro padrasto, Joa?o Miguel Rosa, e? nomeado co?nsul interino em Durban, na A?frica do Sul.
1895: Em Julho, Fernando escreve o seu primeiro poema e Joa?o Miguel Rosa parte para Durban. Em Dezembro, Joa?o Miguel Rosa casa-se com a ma?e de Fernando, por procurac?a?o.
1896: Em 7 de Janeiro, e? concedido o passaporte a? ma?e, e a fami?lia parte para Durban. A 27 de Novembro, nasce Henriqueta Madalena, irma? do poeta.
1897: Fernando faz o curso prima?rio e a primeira comunha?o em West Street.
1898: Nasce, a 22 de Outubro, sua segunda irma?, Madalena Henriqueta.
1899: Ingressa na Durban High School em Abril. Cria o pseudo?nimo Alexander Search.
1900: Em Janeiro, nasce o terceiro filho do casal, Lui?s Miguel. Em Junho, Pessoa passa para a Form III e e? premiado em france?s.
1901: Em Junho, e? aprovado no exame da Cape School High Examination. Madalena Henriqueta falece e Fernando comec?a a escrever as primeiras poesias em ingle?s. Em Agosto, parte com a fami?lia para uma visita a Portugal.
1902: Em Janeiro, nasce, em Lisboa, seu irma?o Joa?o Maria. Fernando vai a? ilha Terceira em Maio. Em Junho, a fami?lia retorna a Durban. Em Setembro, Fernando volta sozinho para Durban.
1903: Submete-se ao exame de admissa?o a? Universidade do Cabo, tirando a melhor nota no ensaio em ingle?s e ganhando assim o Pre?mio Rainha Vito?ria.
1904: Em Agosto, nasce sua irma? Maria Clara e em Dezembro termina os estudos na A?frica do Sul.
1905: Parte definitivamente para Lisboa, onde passa a viver com a avo? Dioni?sia. Continua a escrever poemas em ingle?s.
1906: Matricula-se, em Outubro, no Curso Superior de Letras. A ma?e e o padrasto retornam a Lisboa e Pessoa volta a morar com eles. Falece, em Lisboa, a sua irma? Maria Clara.
1907: A fami?lia retorna uma vez mais a Durban. Pessoa passa a morar com a avo?. Desiste do Curso Superior de Letras. Em Agosto, a avo? morre. Durante um curto peri?odo, Pessoa estabelece uma tipografia.
1908: Comec?a a trabalhar como correspondente estrangeiro em escrito?rios comerciais.
1910: Escreve poesia e prosa em portugue?s, ingle?s e france?s.
1912: Publica na revista A?guia o seu primeiro artigo de cri?tica litera?ria. Idealiza Ricardo Reis.
1913: Intensa produc?a?o litera?ria. Escreve O Marinheiro.
Ficheiro:File:Pessoabaixa.jpg
Fernando Pessoa no Baixo, Portugal
1914: Cria os hetero?nimos A?lvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Escreve os poemas de O Guardador de Rebanhos e tambe?m o Livro do Desassossego.
1915: Sai em Marc?o o primeiro nu?mero de Orpheu. Pessoa "mata" Alberto Caeiro.
1916: O seu amigo Ma?rio de Sa?-Carneiro suicida-se.
1918: Publica poemas em ingle?s, resenhados com destaque no "Times".
1920: Conhece Ofe?lia Queiroz. Sua ma?e e seus irma?os voltam para Portugal. Em Outubro, atravessa uma grande depressa?o, que o leva a pensar em internar-se numa casa de sau?de. Rompe com Ofe?lia.
1921: Funda a editora Olisipo, onde publica poemas em ingle?s.
1924: Aparece a revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz.
1925: A 17 de Marc?o, morre, em Lisboa, a ma?e do poeta.
1926: Dirige com seu cunhado a "Revista de Come?rcio e Contabilidade". Requer patente de uma invenc?a?o sua.
1927: Passa a colaborar com a revista Presenc?a.
1929: Volta a relacionar-se com Ofe?lia.
1931: Rompe novamente com Ofe?lia.
1934: Publica Mensagem.
1935: Em 29 de Novembro, e? internado com o diagno?stico de co?lica hepa?tica. Morre no dia 30 do mesmo me?s.

Category: FlickrTag: durban, Fernando, Image, Pessoa'sculpture

About My Durban

Durban is a major coastal city and the economic hub of the KwaZulu-Natal (KZN) province in eastern South Africa. Governed by the eThekwini Municipality, it is renowned for its busy seaport, tropical climate, diverse cultural influences (African, Indian, and colonial), and the popular “Golden Mile” beachfront promenade, serving as a premier tourism and industrial center.
This author is a catch-all for contributions from individuals and press releases submitted to our MyPR Free Press Release Self Submission Service.

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